segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um Relógio necessita de um Relojoeiro...

Quando abri os olhos eu estava na penumbra do meu quarto. Estava em pé. Virei o rosto para a direita e vi meu corpo deitado na cama. Aflição percorreu todo meu ser pois pensei que tinha morrido. Me acalmei um pouco quando reparei um leve movimento no edredom, que indicava que meu corpo estava respirando. Eu lembrava que, quando tinha ido deitar, tinha vestido um shorts e uma camiseta velha... agora, lá estava eu, só em espírito, vestindo calça jeans, camiseta e meu tênis preferido... fiquei sem entender. Pensei na rua e, num piscar de olhos, apareci em cima da laje do meu quarto, bem do lado da antena parabólica. Foi só pensar na praça do Socorro e lá estava eu flutuando em cima das árvores da mesma. Fiquei ali "volitando" e pensando no que estava passando. Olhava as pessoas a baixo e imaginava se elas poderiam me ver... acho que não. Reparei que a padaria do Dito ainda estava aberta. Um carro de polícia estava em frente, pessoas entravam e saíam do estabelecimento. Nesse momento que fiquei distraido, comecei a descer lentamente... mentalizei "subir" mas acabei subindo muito rápido... mentalizei "descer" e descí muito rápido também... cheguei ao nível do solo, perto das pessoas que estavam na praça... mentalizei "subir" e logo estava bem em cima dos fios do poste de 13800 volts. Naquele instante lembrei de um trecho do filme "Homem de Ferro", bem no momento que ele tenta controlar aquela armadura no ar e acabava subindo ou descendo rápido demais... achei engraçado pois era bem parecido... Me passou pela mente que, se eu conseguia atravessar as paredes da minha casa, eu poderia atravessar as paredes da casa de outras pessoas... nossa... eu poderia entrar na casa dos outros e os ver transando... kkk... Mas logo repeli essa idéia pois lembrei da frase "não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você".

Olhei para o céu e estava lindo ! Pensei no planeta Júpter e imaginei como seria maravilhoso poder contemplá-lo de pertinho, com meus próprios olhos e... vupt... lá estava eu diante do gigante de nosso sistema solar. Júpter não era estático como eu via nas fotos, todas aquelas nuvens e cores estavam em constante movimento e mutação. Enquanto olhava deslumbrado essas imagens magnificas, pensei se não seria muita ousadia atravessar aquelas nuvens coloridas e descer até sua parte sólida (se é que era sólida). No mesmo instante apareci onde o comando do meu pensamento me levou mas, o que lá vi me deixou desconcertado... eu estava diante de uma cidade ! Nunca havia respirado um ar tão leve e puro. A luz era fraca como do entardecer. Estava numa rua onde existiam casas parecidas com as nossas. Via muitas flores estranhas mas lindas e, surpreendentemente, elas tinham um leve brilho natural. Me aproximei de algumas flores parecidas com nossas orquídeas e curiosamente aquele brilho, aquela incandescência, ia aumentando a medida que eu me aproximava. Reparei que nas folhas das plantas não predominava a cor verde como nas plantas da Terra. Alí a cor que predominava era o azul, como se a seiva que circulasse nas plantas fosse de uma clorofila diferente. Era um mundo azulado. Nesse instante chegou alguém, e eu me virei prá olhar. Era um ser humano, ou humanóide como eu. Vestia uma túnica alva e sandálias leves. Ele sorriu e me disse, sem articular a palavra falada:

- Seja bem vindo ! Se os guardiões da Terra permitiram sua vinda aqui é porque você atingiu um nível vibrátorio bem significativo !

Respondi, também em pensamento:

- Guardiães ?!?! Não vi ninguém !

- Você não viu mas eles estavam lá... kkk...

- Eu estou em Júpter mesmo ?

- Sim...


- Mas lá na Terra me disseram que não existe vida aqui !

- É porque a vibração da Terra é ainda muito baixa e a nossa já é bem mais alta... imagine o seguinte: vamos supor que as vibrações sejam representadas pelas notas musicais... se a Terra está em "Dó", nós estamos em "Ré". Prá nós a Terra também é desabitada, se lá nós formos com nossa vibração em "Ré". Se nós, de Júpter, baixarmos nossa vibração ao nivel baixo da Terra, poderíamos ficar visíveis a vocês. Entendeu ?

- Mais ou menos... esqueci de perguntar seu nome !

- Pode me chamar de Áulus.

Áulus começou a me mostrar e a falar sobre seu lindo planeta. Reparei que o Sol era só uma pequena esfera alaranjada, bem diferente da forma abrazadora que ele possui para a gente, da Terra. Não entendi como a temperatura de Júpter era tão agradável. Aulus me disse:

- O Sol emite muitas ondas desconhecidas prá vocês, da Terra. Muitas ondas de alta frequência, que passam despercebidas pelos planetas próximos dele, são captadas pelos planetas mais distantes e os mantem aquecido também. Na prática, existem vários Sóis no mesmos lugar...

- Agora é que eu não entendi nada mesmo...

- Imagine que existem dois Sóis somente, para que seja mais fácil de você entender. Certas frequências e luzes só podem ser captadas pelos planetas próximos dele... outras frequências e luzes só podem ser captadas pelos planetas mais afastados.

- Mas não consigo entender como duas coisas podem ocupar o mesmo lugar no espaço...

- O seu espírito está aqui e o seu corpo está lá na Terra. Quando você acordar e seu espirito voltar a habitar seu corpo não serão duas coisas ocupando o mesmo lugar no mesmo espaço ?

- Sim !


- É mais ou menos a mesma coisa dos dois Sóis... venha comigo que eu quero lhe apresentar uma pessoa.

Segui com Áulus por alamedas floridas e perfumadas. Todos me sorriam e acenavam. Olhei para o céu, enquanto caminhávamos, e vi seres estranhos, parecidos com nossas Arraias maritimas, mas estavam voando em bandos no céu colorido. Áulus disse-me que aqueles seres eram originários de um dos vários satélites naturais de Júpter e que eles só ali migravam na época de acasalamento e depois voltavam prá casa. Chegamos diante de uma espécie de palacio feito de material vítreo e esculpido com caracteres desconhecidos para mim. Fomos recebidos por uma mulher linda, com cabelos cor de lua cheia e olhos com brilho de jóias imaculadas. Ela vestia uma tunica linda mas era diferente da tunica de Áulus... ela tinha algo de terraquea. Ela me surpreendeu, quando articulou palavra falada, em bom e claro português:

- Você chegou antes do que eu esperava... kkk...

- Você me esperava ?!?!

- Temos uma missão na Terra.

- Mas eu nunca te vi. Você também está dormindo ?

- Sim, mas estou muito mais consciente do que você. A despeito de morarmos em países diferentes, está escrito que deveremos nos encontrar em breve e cumprirmos uma missão importante.

Áulus disse para aquela linda moça que ele iria me mostrar algumas coisas mas que em seguida nos encontraríamos novamente. Ele me mostrou coisas fabulosas e inexplicaveis naquele castelo ! Eu perguntei a ele se o povo de Júpter acreditava em Deus. Ele disse:

- Vamos supor que você está andando em um lindo bosque da Terra e fique olhando tudo ao redor com naturalidade. Até o momento que você observa um objeto caido na grama. É um relógio de bolso. Naturalmente você o analisará, o abrirá para ver se está funcionando e verá que horas está marcando. Você poderia, em sã consciência, dizer que esse objeto apareceu ali do nada ? Alguém fez aquele relógio... Agora observe o micro e o macro cosmo... você ainda acha que é possível um relógio ser criado sem a intervenção de um relojoeiro ?

- É bem lógica essa sua explicação Aulus...

- Pode perguntar o que quiser, fique a vontade...

- Sou fascinado pelo Sol Áulus. Você poderia me dizer algo sobre ele ?

Em resposta, Áulus segurou em minha mão e, no instante seguinte, estavamos diante do Titã do sistema solar. Lá mesmo, volitando ao lado de Áulus diande da nossa estrela, eu agachei e chorei extremamente envergonhado, por ter questionado a existência de Deus para Áulus. Como algo tão incrível e explendoroso como o Sol poderia ser obra de uma acaso ? Absurdo ! Áulus me deu muitas informações sobre nosso Sol, de como suas manchas aparecem e somem em um ciclo periódico de 11 anos. Ele me disse, também, que as manchas solares são produzidas por gigantescos campos magnéticos que retêm muita energia e luz, que explode nos períodos de mais manchas e abrasa muito os planetas mais próximos a ele. Ele me disse que já era hora de voltar. Quando chegamos a Júpter, ele me disse que aquela moça que falou comigo ia me levar de volta à Terra. Iriamos voltar juntos. Eu disse com toda minha presunção que podia voltar sozinho, que não queria dar trabalho e ela me disse que era melhor ela me levar pois, se eu voltasse para o meu corpo de forma brusca, não lembraria de nada do que aconteceu devido ao choque do espírito e o corpo adormecido. Ela me disse que ia me colocar com carinho no meu corpo pois eu estava autorizado a lembrar de tudo que aconteceu. Ela segurou na minha mão e nos despedimos de Áulus e seu planeta lindo e colorido. Volitamos pelo espaço e ela me falou de sua vida e de nossa missão. Nunca em minha vida senti tanta felicidade ! Chegamos na Terra e entramos no meu quarto... amanhecia. Ela depositou meu espirito lentamente no meu corpo mas, num sobresalto, eu lhe gritei: "como eu vou te reconhecer ???" Mas já era tarde. Acordei.

- CanetaCanetaCanetaPapelPapelPapel !!!

Levantei desesperado, já querendo anotar tudo que estava fresco na memória. Quando olhei para a minha prancheta de desenho, havia uma folha de sulfite bem no meio dela. Uma linda caneta se materializou e, movendo-se sozinha, traçou as seguintes palavras:

"Te conhecí na Atlântida,
e te perdi no Egito.
Te reencontrei na Assíria
e te traí na Pérsia.
Te amei na Babilônia
e te odiei em Sodoma.
Te dei a vida na Caldéia
e te matei em Roma.
Pequei em Jerusalém
e você também.
O ódio nos algemou...
O ódio nos afastou...
Mas depois do Cordeiro
Nunca fomos os mesmos.
Aos poucos aprendemos
que o ódio algema
e o amor une...

...une pela eternidade."

A medida que eu ia lendo o texto, as palavras que eu acabara de ler iam sumindo, como se desmaterializassem e se transformassem em perfume de flores do campo, que impregnava todo meu quarto. A última frase, que se dissipou no ar e deixou a folha em branco, foi essa:

"Você me reconhecerá...

...atravéz...

...do Amor."


=)

2 comentários:

Regiane
"Carrie" Alencar,
disse...

"O ódio algema e o amo une". Essa frase eu tenho q guardar. Vou até tuitar essa. Adorei!

Cláudio Tadeu Cavallote disse...

Obrigado Amiga !!! Pode copiar, colar e tuitar a vontade... =)

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